Painéis e GTs

Painel 5 (GT 5)
Comunicação na América Latina: pensamento e ação

Durante muito tempo, o binômio comunicação e desenvolvimento foi pensado assimetricamente, figurando o desenvolvimento econômico como alavanca do desenvolvimento comunicacional. Essa concepção perdurou até que o cientista canadense Harold Innis demonstrar que historicamente os meios de comunicação exerceram papel indutor do desenvolvimento sócio-econômico. Mas sua legitimação só se daria após a publicação dos resultados da pesquisa feita por Daniel Lerner, em países do Oriente Médio, comprovando que o desenvolvimento sócio-econômico depende basicamente da difusão de símbolos e valores “modernizantes” veiculados pelos meios de comunicação de massa.

Ancorado nessas premissas, Wilbur Schramm formulou a estratégia da “comunicação para o desenvolvimento”, adotada pela UNESCO e disseminada nos países sub-desenvolvidos, no período pós-guerra. Nessa equação, cabia ao desenvolvimento dos meios de comunicação o papel de indutor do desenvolvimento sócio-econômico, “queimando etapas” no processo de socialização cultural, na medida em que fossem convertidos em agências de educação a distância.

Coube ao economista argentino Raúl Prebisch, diretor da CEPAL, equilibrar a equação, demonstrando que os dois fatores – comunicação e desenvolvimento – atuam concomitantemente, dependendo da ação indutora do Estado. Coube também ao comunicador boliviano Luis Ramiro Beltrán o mérito de tornar viável a proposta cepalina, concebendo a doutrina das “políticas nacionais de comunicação”. Acolhido pela Comissão MacBride da UNESCO, esse “pragmatismo utópico” tem sido testado desde os anos 1970, com resultados animadores.

Fazer um balanço crítico do pensamento e ação contidos nessa tática de “comunicação para o desenvolvimento” constitui o propósito da Conferência Inaugural e do GT5



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